Mary Ward nasceu no dia 23 de janeiro de 1585, em Yorkshire, na Inglaterra.

 

Esta casa na foto pertenceu à família Ward. Hoje é propriedade das Irmãs da Congregação de Jesus da Inglaterra. A atmosfera afetiva de sua casa contrastava fortemente com as severas leis anticatólicas, impostas pelo governo inglês. Era um período em que a sociedade não conseguia aceitar a coexistência pacífica de católicos e protestantes.

casa_familia_ward.jpg

A infância

 

A hostilidade entre as duas igrejas aumentou nas últimas décadas do século XIV. A bula papal Regnants in Excelsis, de 1570, excomungou a rainha Elisabeth I e desobrigou os católicos de prestar fidelidade ao culto do rei, levando-os a ser considerados traidores em potencial. A família de Mary Ward também foi perseguida e muitos foram mortos, até porque hospedavam sacerdotes em suas casas. Sua avó foi presa pela sua fidelidade à sua religião. Os católicos que professassem abertamente sua fé eram punidos com a hedionda pena de morte por enforcamento, e o crime mais odioso era ser sacerdote e celebrar a Eucaristia. Abrigar um sacerdote era incorrer numa sentença de morte. Nuvens negras pairavam sobre os católicos ingleses.

mary_ward_1.jpg

Nesse ambiente, Mary Ward foi crescendo e seus pais viram que era perigoso para uma criança estar ali, à mercê dos inimigos da Igreja Católica. Por isso, com cinco anos de idade, ela foi levada para Plougland, na casa de seus avós. Permaneceu lá até os 10 anos de idade, quando então regressou à casa de seus pais, em Mulwith.

 

A adolescência

 

 

Depois de quatro anos, ou seja, em 1598, como a turbulência crescia em Yorkshire, seu pai a enviou para a casa de uma prima sua, Katherine Ardington, em Alnwick. Aos 13 anos, fez sua primeira comunhão e esse foi um momento de graça na vida de Mary. Ela recusou todas as ofertas de casamento e teve que lutar muito contra o desejo de sua família para que aceitasse as propostas de matrimônio.

 

Mary Ward adoeceu, e seu pai a levou para casa novamente, permanecendo pouco tempo com sua família, que fazia de tudo para protegê-la da terrível perseguição que não conhecia trégua. Dessa vez, Mary foi levada à casa de outros parentes, Ralph e Grace Babthorpe, que também tinham sido presos, mas corajosamente continuavam a acolher sacerdotes em sua casa. Estes celebravam a missa todos os domingos.

mary_ward_2.jpg

 

A decisão

 

Foi naquela casa que Mary Ward sentiu-se chamada por Deus e decidiu que seria uma religiosa. Enquanto trabalhavam, Margareth Garret lhe contava histórias dos conventos antigos e que muitos foram suprimidos pela autoridade anglicana, contrária ao catolicismo. O chamado do Senhor lhe ardia no coração. 

 

A perseguição aos católicos continuava. O pai de Mary foi preso e muitos de seus parentes foram mortos. Quando seu pai foi libertado, disse a Mary Ward que ela deveria se casar com Edmund Neville para manter acesa a chama do catolicismo no norte da Inglaterra. Marmaduque Ward, Edmund Neville e Mary Ward foram a Londres para conversar com o Pe. Holtby, um jesuíta, pois quem sabe ele a convenceria a se casar. Essa era a esperança de seu pai. Eles se encontraram, conversaram e celebraram a Eucaristia. Mas com o que aconteceu depois Mary teve certeza de que Deus esteve muito presente ali e interveio com sua graça. O Pe. Holtby e seu pai haviam mudado de ideia e concordaram que ela deveria seguir sua vocação.

 

mary_ward_3.jpg

A vocação

 

Entretanto, para seguir sua vocação, ela precisou deixar seu país, atravessar o Canal da Mancha, tomar um navio no porto de Dover e partir para St. Omer (Flandres), hoje França.

 

Chegando lá, entrou para o convento das Clarissas Pobres. Porém, depois de um tempo, percebeu que Deus lhe pedia algo diferente. 

 

Em 1609, com 24 anos de idade, fundou uma escola em St. Omer, ao lado de algumas companheiras. E foi assim que surgiu a Congregação de Jesus.